
Donos de cachorros ficam frouxos mesmo. No dia em que meu amigão faz dois anos, vale contar uma história sobre isso. Eu, por exemplo, sofri uma metamorfose em três fases…
1. A minha irmã um dia chegou com uma Yorkshire Terrier chamada Tchulla. Uma amigona dela ganhou do namorado, mas a mãe não deixou a cadelinha ficar. A Anna pegou e impôs ficar com a Tchulla, apesar dos protestos da minha mãe. Nos primeiros dias, a Tchulla não comia, não latia e minha mãe não queria ela nem perto dos quartos. A primeira refeição da Tchullinha foi na base de deitar do lado dela e ir pegando comida do pratinho e dando pra ela da minha mão, grão de ração por grão de ração. Logo ela começou a latir pra os desconhecidos que chegavam em casa e hoje ela dorme com a minha mãe. Isso foi mais de uma década atrás. Tchullinha tem hoje uns 16 anos estimados. Está ceguinha, surda e meio lelé. Com medo de sofrer, a gente fica se preparando pro dia em que não vamos mais tê-la por perto.
2. Um dia, indo ao cinema aqui em São Paulo, no dia 22 de dezembro de 2000, nós paramos na frente de uma pet shop no Shopping Villa Lobos e nos apaixonamos por um cãozinho branco minúsculo, um maltês. Acabamos comprando o bichinho e dando a ele o nome de Carl Sagan, o astrônomo. Sagan abriu meus olhos pra um monte de coisas. Eu mudei meu jeito de me relacionar com bichos ao vê-lo brincar, correr, fazer manha e todas as coisas que SEU cachorrinho adora fazer. Eu amo esse cachorro, mas ele ama mais a Mônica, que é quem ele adotou como dona primária. Foi com o Sagan que eu aprendi, também, tudo de errado que você pode fazer com seu cachorro. Fomos permissivos e frouxos com ele e o resultado é um cachorro adorável com a gente, mas cheio de manias e grosserias com os outros.
3. Dois anos atrás, fui comprar ração pro Sagan num domingo e parei pra ver um lab preto lindo que estava numa gaiola de vidro. Eu, que nunca faço isso, pedi pra pegá-lo no colo. ELe se aninhou em mim, me lambeu, ficou todo quietinho e carinhoso. Mas eu não sou maluco. Não queria ter um labrador pela casa. Não comprei, claro. Até porque, eu tinha prometido a mim mesmo que meu próximo cachorro seria adotado. Só que, na quinta-feira seguinte, tocram a campainha da minha casa e entregaram aquele labrador preto com uma fitinha vermelha amarrada no pescoço (ahhhh, a “coisificação dos animais, tão criticada quanto a antropomorfização…). A Mônica, que é louca, comprou o labrador pra mim.
EU podia ter mandado devolver. Mas não tive coragem. Me apaixonei por ele. Se tem alguma coisa que marcou uma virada na minha vida foi a chegada dele. Eu passei a sair de casa pra passear, frequentei pela primeira vez de forma regular a praça próxima à minha casa, fiz uma dúzia de amigos novos e saí daquela inércia, daquela imobilidade. Amo esse cachorro.
O primeiro ano, principalmente, foi duro. Ele é agitado. Dá trabalho. Não foi destruidor, mas fez suas artes. O principal motivo de ele não dar grandes problemas é minha prática de tirá-lo de casa três vezes por dia, chova ou faça sol. Isso acalma o animal e o mantém ativo. Resultado? Darwin, com dois anos, tem 33 quilos. É lindo, forte, musculoso. Igual ao pai (nooooooooooot!).
Ele é bem obediente também e sabe direitinho seu lugar dentro de casa. O maltês dorme com a gente, sobe nos móveis e nos cerca o tempo todo. Darwin fica em uma das duas camas que colocamos pra ele na área de serviço e na sala de TV. Não sobe na cama, nem nos sofás. Sem problemas. Sem choros. Toda noite, eu levo ele pra cama da área de serviço, dou um beijo e dou boa noite. Fecho a porta e ele fica lá, sem reclamações.
Agora, como vou ficar um tempo fora do país, morro de saudades por antecedência. ELe é lindo, é meu amigo e minha companhia de vários momentos. Ele é carinhoso, brincalhão. Não sei mais como é a vida sem ele.
2 respostas até aqui ↓
1 Flávia Stefani // Aug 13, 2008 at 12:49 pm
Gente, MORRI com essa história. Que fofo. Que FOFO! Eu já tinha aparecido por aqui, lembro de um post em que houve uma festa e todos os vizinhos levaram seus respectivos cães à praça e tal, mas tinha tempo que eu não vinha aqui. Sensacional.

Parabéns, Darwin!
By the way, labs are the best! Eu já tive, meu ex namorado tem e acho que é uma raça absolutamente adorável.
2 Márcia Coelho // Aug 21, 2008 at 4:41 pm
Pois é… todos acabamos nos rendendo aos nosso eternos “filhotes”.
Tadinho…vai morrer de saudades de vc…
Bjkas e boa sorte na empreitada.
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