Os amigos Cynthia e André aumentaram a família. Tinham a Pepita, uma labradora que se esbaldava com o Darwin, e agora adotaram mais uma menininha, como relatam a seguir:
Era domingo, 28 de outubro de 2007, 4:30 da manhã. Estávamos eu e o André chegando ao campus da USP de Ribeirão Preto para nos encontrarmos com um grupo que partiria às 5:30 para Angra dos Reis. (…) De qualquer forma, enquanto o André tentava encontrar o local de partida, avistei uma salsicha escura ambulante, literalmente mais perdido do que cachorro em dia de mudança, pois estava no meio do nada. Estávamos numa parte do campus onde não havia nada construído (casas, prédios de faculdades), nem destruído (reitoria, orelhões), apenas um carro em alta velocidade e em zigue-zague, com potencial para entrar no segundo grupo.
Chegamos cedo ao local de encontro, onde havia 2 ou 3 pessoas encolhidas com o frio e a escuridão da madrugada. Após uns 30 minutos ao vento, resolvi voltar a pé até a portaria para pedir o uso do banheiro, pois lá era o único lugar no campus onde havia vida humana, além do local de encontro. O André me acompanhou. Enquanto aguardava a saída do outro guarda plantonista, que havia acordado e se trocava para o final do turno, o salsicha veio na minha direção. Chorava bastante e andava um pouquinho, e assim por diante, até que se aproximou a ponto de se encolher e urinar de medo. Permaneci agachada o tempo todo para não assustá-lo e fiz um pouco de carinho, quando finalmente ele se aproximou e virou-se de barriga para cima, num sinal de submissão.

Era ela, e não ele, aparentemente um Daschund de cor “chocolate amargo” (escuro). Era impossível não ter compaixão. Olhei para o tamanho e a cor dela, lembrei-me imediatamente do carro desgovernado e em alta velocidade, do deserto em que nos encontrávamos e, acima de tudo, do olhar do Gato de Botas do Shrek - idêntico! Já que o guarda plantonista não poderia cuidar dela até que retornássemos de viagem em quatro dias, assediei imediatamente o colega dele, que havia acabado de acordar e não estava completamente consciente - aceitou cuidar dela na hora.
Assim, viajei mais aliviada e um pouco ansiosa pelo fato de tudo ter acontecido e sido solucionado tão rapidamente. Quatro dias depois, quando voltamos do Rio, lá estava ela na guarita, firme e forte, porém chorosa, além de não querer comer. Mais tarde, telefonando para o guarda para agradecer o favor, descobri que ambos haviam se apegado muito e, não fosse a resistência da esposa dele, a cachorrinha teria ficado com ele, mesmo. Não teria me chateado, o importante é que ela saísse das ruas. A resistência da esposa se explicava pela perda recente do cachorro deles, morto pela doença do carrapato, que é endêmica nesta região. Não tiveram dinheiro nem informação suficientes para levar o cachorro a um bom veterinário e tratá-lo adequadamente. No dia em que foi corretamente diagnosticado, morreu.
Hoje olho para trás e vejo que, até este momento, nossa cachorra teve sorte. Para o guarda, ela estava saudável, apesar de impregnada de pulgas e carrapatos. Entretanto, assim que chegamos em Barretos, resolvemos fazer um “check-up” nela. Além de repleta de feridas pela extração de carrapatos feita pelo guarda e sua esposa, ela tinha otite e conjuntivite bilaterais e suspeita de doença do carrapato e infecção uterina. Hoje encontra-se melhor, já em tratamento para a doença do carrapato, porém a suspeita de infecção uterina foi afastada e no momento ela está em quimioterapia para um tumor genital, curável na maioria dos casos. A veterinária responsável, solidária pela origem e condição de saúde da cachorrinha, tem acompanhado o tratamento com um retorno simbólico, eu diria.
Continuamos na torcida para que ela se restabeleça completamente. Por sinal, quando tivéssemos nossa casa mais em ordem, tínhamos em mente adotar uma cachorra de um abrigo, preferencialmente fêmea, mesmo, preta ou chocolate, porém… do tamanho aproximado da Pepita. Já tinha até nome: Lola. Enfim, a pequena Lola veio nos provar que tamanho e raça não são documento. Ela é mestiça de Daschund - segundo o André, com um galgo, já que ela tem as pernas mais compridas que o primeiro, e nos adotou antes que adiássemos ou desistíssemos da idéia. Anexas encontram-se fotos dela.
Lembranças,
Cynthia, André, Pepita & Lola

3 respostas até aqui ↓
1 Cynthia (Pepita/Lola) // Nov 22, 2007 at 3:15 pm
Alexandre,
Fico muito orgulhosa de ter a história da Lola publicada neste blog, com as fotos dela e da Pepita. Era para ser apenas um e-mail de apresentação da Lola a familiares e amigos, mas acabou, de certa forma, “imortalizado” na Internet…
Lembranças a todos em casa e na praça,
Cynthia
2 Monica // Nov 22, 2007 at 8:15 pm
Cynthia
Estou torcendo para a Lola ficar bem e brincar muito ainda com a Pepita.
Se a Pepita ficar na sua mãe fala pra ela levá-la na pracinha p/ gente matar as saudades!!!
Beijos
Monica
3 cecilia // Nov 26, 2007 at 10:43 am
oi Cynthia
Fiquei muito feliz de saber noticias de vocês, a Lola teve muita sorte de entrar para esta família.
Eu e a Nina estamos com saudades de vocês.
beijos
Cecilia
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