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This article was written on 31 jan 2007, and is filled under Arquivo Cãofidencial, Cachorros, Darwin.

Darwin e Nós

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Agora eu começo a entender o que é ter um labrador em casa… O Sagan operou algumas pequenas mudanças na minha vida. Mas o Darwin mudou muitas coisas. Ele exige mais atenção e carinho. E as traquinagens são um capítulo a parte.


No outro dia, deixamos um bolo em cima da pia. Ele comeu a cobertura de leite condensado com coco.

Mês passado, eu achei que dava para deixá-lo na área de serviço. Ele demoliu tudo. Derrubou os secadores, espalhou sacos plásticos por todos os cantos.

Esta semana, resolvemos arriscar e o deixmos sozinho com o Sagan (nosso maltês) no espaço de mais ou menos duas horas que levaríamos no mercado. Quando voltamos, encontramos a tigela do Sagan despedaçada (mesmo, em centenas de pedacinhos) não sei como. Havia xixi e cocô no cantinho da sala, uma das almofadas se perdeu para sempre. Num cantinho, Sagan estava quietinho, como quem queria garantir que jamais iriam pensar que ele tinha alguma coisa a ver com a bagunça. Por fim, esqueci uma bolsa da minha mulher em cima do sofá e ele não só resolveu testar toda a maquiagem dela como devorou uma cartela de antiinflamatórios. Entramos em pânico, ligamos pro veterinário para saber se deveríamos levá-lo para uma lavagem estomacal. A instrução foi que observássemos o bichinho e déssemos omeprazol (um remédio que protege o estômago). Darwin não pareceu sentir nada e comeu o omeprazol como se fosse uma balinha.

Colocamos pedrinhas em uma garrafa de big coke para ajudar a corrigir ele e o Sagan nos latidos e erros. Com o Sagan, funcionou. Com ele… Bem… A garrafa que ele devia temer virou brinquedo. Aliás, tudo vira brinquedo com o Darwin.

Outra coisa que ele descobriu foi a lata de lixo. Como um vira lata profissa, se a gente joga restos de frango, precisa ficar de olho nele, porque periga ver aquele bichão preto enorme vasculhando a lixeira.

E o rabo? É difícil de acreditar o que aquele rabo pode fazer. Copos, chícaras e bandejas correm sério perigo. Até agora, ele não quebrou nada sério nem caro. Mas a gente toma café da manhã em estado de alerta. Ele adora passar com algum bicho de pelúcio pedindo que a gente brinque com ele e abanando o rabo. Eu e Mônica, minha mulher, tiramos apressados as chícaras de cima da mesa. É isso ou teremos café pelo chão.

Estou surpreso com a energia dele. São três passeios diários. No início eu cuidava de todos, mas agora que ele está mais obediente, deixo ele sair com a empregada e com a minha mulher. algumas vezes. Isso me deu um descanso. Agora eu saio pelo menos uma vez com ele, geralmente à noite. É nessa hora que volto e nós dois brincamos garagem do meu prédio. Eu jogo a bolinha lá no fundo e ele vai pegar animadíssimo. Lá pela vigésima vez, ele começa a dar sinais de que está ficando cansado. Lá pela trigésima, ele começa a voltar andando. É hora de subir.

Para evitar que ele engorde e para mantê-lo em atividade, eu o mando para uma creche duas vezes por semana. Ele passa o dia brincando e chega cansado. No sábado ou no domingo, passou algumas horas com ele no espaço de recreação da creche e o Darwin já dá sinais de que pode ser uma fera do agility. O efeito disso é que, ao contrário do Sagan, que ficou meio antissocial, o Darwin interage muito bem com gente e com animais. o Sagan ou tem medo ou rosna. Ficou tanto com a gente, sai tão pouco de casa que está perdendo o contato com sua “caninidade”.

Darwim é um cãozão. Brinca, pula, faz festa, faz besteira do jeito que os cães têm que fazer. Ele me irrita, sim, claro. Eu sou obrigado a dar bronca e corrigi-lo. Mas a lembrança das besteiras é uma delícia. Agora eu entendo porque os donos de labradores falam das artes de seus bichanos com tanta alegria. Essa felicidade, essa vontade de viver e de engolir o mundo todo de uma vez é contagiante. Eu, que tinha virado o mais perfeito exemplo do sedentarismo, me vejo levantando seis e meia da manhã para dar uma volta com meu cachorro. Me vejo animado para levá-lo para uma volta, porque sei que ele precisa disso para se sentir bem.

Mas quem sabe brincar com ele é a Mônica. Foi ela que começou a puxar o rabo dele. Que começou a dançar e descobriu que ele entra no ritmo rapidinho. Eu só jogo a bolinha, faço cócegas na barrigona. EU olho pra ela e pra ele e me divirto. E aí, vem o Sagan e ainda pede pra brincar de pique. Quando um desses bichos te pede pra brincar é difícil dizer não.

Ele ainda não destruiu meu sofá, nem quebrou todos os cristais. Mas eu sei que isso vai acontecer mais cedou ou mais tarde. Já disse que nem gosto muito daquele sofá e que os cristais são mesmo incômodos e sensíveis demais. O que importa é me divertir com meus bichanos e minha mulher. Todas essas coisas fazem parte das nossas histórias. Assim como a gente ri quando se lembra que o Sagan comeu um monte de revistas minhas, nos preparamos pra rir das besteiras que vêm por aí. Será a história da vida de Darwin. Darwin e nós.

(texto publicado originalmente em www.alexmaron.com.br)

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