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This article was written on 21 jul 2003, and is filled under Abandono, Arquivo Cãofidencial, Cachorros, Ficção.

Seymour e o abandono

Para minha surpresa, uma busca na Internet me revelou que o tal episódio de Futurama sobre o cachorrinho Seymour causou uma certa comoção entre os fãs.

Eu encontrei referências a ele em weblogs e sites de fãs com guias de episódios e coisas do tipo. Todos acharam o episódio triiiiste. Eu fiquei um pouco obcecado, confesso. Descobri que a música que toca no final é interpretada por Connie Francis e se chama “I Will Wait for You”. É de um filme antigo.

Mas a essência da coisa é que Seymour é um cachorrinho de ficção (e você pergunta: “como foi que ele notou isso?”). Como toda a ficção ele causa algum reflexo em nossas vidas e funciona muito mais como um símbolo de alguma coisa que nos incomoda. Eu me incomodo com o abandono desses animais. É por isso que estou sempre ligado nas campanhas de sites como a Suipa e o Quero Um Bicho.

Ao mesmo tempo, acho uma maluquice se importar com os cachorros, gatos e outros bichinhos fofos e não ligar pros meus semelhantes que estão abandonados por aí. Então, é importante ficar de olho em projetos de voluntariado ou simplesmente de combate à Fome, como o ClickFome da Ação da Cidadania.

Seymour tenta evitar que seu dono vá embora, come uma pizza (quando conhece Fry) e nada (!!) no molho da pizzaria

De qualquer modo, o tal episódio do futurama, “Jurassic Bark”, é um clássico instantâneo. Trabalha com a matéria da básica boa ficção, não dar a você simplesmente o que você quer. Te deixar incomodado. Há uma vertente que acha que fazer ficção é sair realizando todos os desejos daqueles malucos das pesquisas qualitativas. Se Fry clonasse Seymour e brincasse com ele no fim da história, este seria um episódio qualquer.

Mas ao mostrar como nós não somos capazes de dar valor ao sentimento desses bichinhos, o episódio será lembrado por muito tempo. Quem tem cachorro sabe o vazio que fica na vida do seu mascote quando você sai. Pior. O Sagan, por exemplo, gosta muito de mim, mas é apaixonado mesmo pela Mônica. Quando ela sai, ele fica na sala deitado, cabisbaixo esperando por ela, olhando para a porta. Eu vou, faço carinho, chamo pra brincar, ele se distrai, mas, ao ouvir os passos da Mônica na rua, me esquece e corre pra porta. Ela é tudo no mundo pra ele.

(texto publicado originalmente em www.alexmaron.com.br)

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